Mostrar mensagens com a etiqueta novidades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta novidades. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de agosto de 2009

Novidades / News

Sim, eu sei que tenho sido muito pouco assídua, e que não vos tenho dado notícias regularmente. Cá estou para rectificar essa situação!
Sim, continuo no Japão, e vou ficar aqui mais uns dias, mas o dia do meu regresso à pátria aproxima-se a passos largos. Este mês passou a voar. Entrei oficialmente de férias no dia 4 de Agosto, dia em que entrguei o meu último trabalho final, e logo no dia seguinte recebi uma visita de Portugal.
É sempre fantástico poder conversar e partilhar momentos com compatriotas. Não é só por serem pessoas que vêm do mesmo país que nós. Não, vai muito para além disso. É a possibilidade de partilhar pontos de vista, de conversar e estar no mesmo comprimento de onda, por assim dizer. Claro que é óptimo conhecer pessoas diferentes, de todos os cantos do mundo, isso abre-nos horizontes, e ajuda-nos a mudar as nossas perspectivas do mundo. Mas como foi agradável partilhar o pensamento facilmente, depois de um ano a batalhar para me expressar.
Então, aproveitando a visita e as minhas férias, eu andei a passear aqui por Tóquio. Quando se vive num local entra-se numa rotina, daquelas em que não se visita sequer o museu do outro lado da rua! E sim, foi isso que aconteceu largamento comigo aqui. Visitei algumas coisas ao longo do ano, como por exemplo fui à Disney, e a outros locais bem animados, mas não visitei nem metade do que gostaria de visitar. Foi preciso receber uma visita Lusa em Junho para perceber como é mesmo difícil sair da rotina quando se está só. Nessa altura aproveitar para conhecer bastantes coisas, nomeadamente o Museu Ghibli (que é simplesmente um castelo de sonho!), e foi quando fiz a minha primeira visita a Quioto, a antiga capital. Fiquei a conhecer restaurantes, onde eu nunca entrava sozinha, sobretudo porque normalmente optava por cozinhar em casa, e lojas de lembranças, conhecimentos que ultimamente me têm sido muito úteis.
No último mês de Julho, em que andei mesmo ocupada, conheci muitas pessoas novas, sobretudo alunos do curso de Português, e por isso as últimas semanas de aulas foram marcadas por muitos almoços e encontros para tomar chá. Foi muito bom, e eu fiquei muito animada. Desde então entrei em Agosto e aí foi pedal a fundo até agora. Visitei tantas coisas que vou apenas mencionar algumas. Visitei alguns dos parques mais bonitos de Tóquio, destaco o Shinjuku Gyoen, que é lindo. Visitei a Tokyo Dome e Odaiba, em que pude andar nas Rodas-Gigantes, que me deram vistas lindas sobre a capital, quer de dia, quer de noite. Estive a 250 m do chão na Torre Tóquio, e passeei nos Jardins do Palácio Imperial. O Museu de Tóquio e o Parque de Ueno agradaram e encataram. Enfim, fui a tantos lugares, e vi tantas coisas. Fiz duas viagens de um dia para visitar duas atrações turísticas aqui perto de Tóquio: Kamakura (uma antiga capital Japonesa, onde molhei os pés no Pacífico pela primeira vez!) e Hakone (um espaço de grande energia geo-vulcânica conhecida por termas e erupções de enxofre na montanha). Enfim, tenho tantas histórias para contar, e tão pouco tempo antes de voltar. Deixo aqui algumas fotos das minhas aventuras. Espero que vos dê uma pequena imagem do que tenho vivido nestes tempos.
E para o futuro, é só voltar? Claro que não! Vou embarcar na minha viagem de despedida. 10 dias a correr pelas áreas de Kansai e Kyuushu. Vou visitar Osaka, Hiroshima, Oita (o meu único poiso em Kyuushu, e cidade gémea de Aveiro!), e Quioto, mais uma vez. Depois regressarei a Tóquio por uns dias para preparar o meu regresso. Muitas aventuras estão à espreita, e daquilo que ouvi dizer esperam-me ilhas de montanhas encantadas habitadas por macacos, veados e muitos outros animais, rodeados por templos, e jardins de fazer voar a imaginação. Será desta que encontro o meu sonho nipónico?



Yes, I realise I haven’t been updating as much as I should. So, I’ll try to do my best to do so today.
I am still in Japan, and I’ll still be here for a few more days, but I will soon return to my birth place. This month time flew like no other. On August 4th my holidays officially started, as soon as I handed-in my last final paper, and on the following day I received a visitor from Portugal.
It is great to have the chance to talk and share all kinds of moments with people from the same place as you. Those people, they don’t just come from the same place, it goes well beyond that. With those people we have the chance to share points of view, to maintain a conversation with a similar pattern of thought. Of course it is great meeting new different people from all over the world, they allows us to expand our horizons and to change our perspectives of life and the world. But having a Portuguese friend around allowed me share my thoughts easily, which felt great after almost a year in which every conversation meant to strive to get my ideas across the cultural barriers.
So, in order to fully enjoy my time with a friend and my vacation, I saw a lot of new places in Tokyo. Living in one place drags you to a kind of routine that you don’t really wish to break in order to go to new places, even if they are just across the street! That was exactly what happened to me, I did visit some places, I went to Disney, and to other cool places, but not nearly half of all I wanted to visit. It took a previous visitor in June to make me realize how much I was missing, stuck in my little routine! I went to really nice places at that time, namely the Ghibli Museum (simply a dream land!), and I also went to Kyoto, the old capital, for the first time then. I got to know restaurants where I had never been, and souvenir shops, all of which are proving to be very useful lately.
In the past July, a month that kept me ever so busy, I met a lot of new people, mainly students of the Portuguese course, and because of that my last couple of weeks of classes were filled with lunch and tea meetings. It was great, and it made me incredibly happy. After that, there came August, and the time speed raced until now. I visited so many places, I couldn’t possibly mention all right now, but will only name a few. I visited amazing parks here in Tokyo, Shinjuku Gyoen was particularly beautiful! I visited Tokyo Dome and Odaiba, and in both places I was able to ride the giant Ferris Wheels there that gave me some of the most amazing views of Tokyo I ever saw, both during the day and the night. I was in Tokyo Tower’s special observation deck, 250 m, above the ground, and I strolled through the gardens of the Imperial Palace. The Tokyo Museum and the Ueno Park were so pleasing. I visited many places and saw a lot of new things. I went on two day trips from Tokyo: Kamakura (an ancient capital, where I could feel the water of the Pacific on my feet for the first time) and Hakone (an active geo-volcanic area best known for thermae and sulfur eruption in the mountains). Oh, I have so many stories to tell, and so little time before I go back. I will leave here some photos of some of these places, I hope it helps getting a picture of what I have been up to.
And, what next? Return home? No way! Before doing that I am about to embark on a jouney that will allow me to say farewell to Japan, for now. For 10 days I’ll be travelling around the areas of Kansai and Kyuushu. I’ll be stopping at Osaka, Hiroshima, Oita (my only stop in Kyuushu, and the twin city of Aveiro, my city in Portugal!), and, last but not least, Kyoto, once more. I will then return to Tokyo, where I will prepare for my trip back to Portugal. Many more adventures await, and for what I heard I am expected to find enchanted mountainous islands, inhabited by monkeys, and deer, and plenty of other animals, who live surrounded by temples and mind blowing gardens. Will I find my Japanese dream now?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Novidades fresquinhas

Sim, já cá não passava há imenso tempo, mas as horas do dia não são suficientes para a loucura que é a vida por estes lados. Como me faz falta o ritmo de Portugal! Bem, quem me conhece sabe que o meu ritmo é algo mais apressado que os dos demais no nosso Portugal à Beira-Mar plantado, mas nada se compara ao ritmo de Tóquio. O cansaço físico, mas sobretudo o psicológico desta vida de correria frenética é suficiente até para me sugar a vontade de ler, escrever, dançar ou passear. Agora compreendo as multidões de alunos que dormem na Biblioteca ao longo do dia, e os muitos passageiros que não aguentam o João Pestana durante as viagens de comboio.
O tempo continua a pregar-me muitas partidas... Corre acelerado e cada vez mais se aproxima o dia em Setembro em que estarei de volta ao meu lugarzinho... Mas ao mesmo tempo que corre desenfreado - parecendo que ainda ontem recomeçaram as aulas, e já estamos em Junho, e já tive os exames de meio de semestre de Japonês - simultaneamente, o tempo brincalhão anda a gozar comigo, e vai-se arrastando até mais não.
A minha rotina anda na mesma. As aulas de Japonês que são a minha tortura diária, mais as de Mestrado em que posso respirar e aproveitar, mais as pequenas investidas na minha pesquisa... A minha pesquisa, essa pelo menos começa a tomar contornos mais definidos, mas quando penso em tudo o que há para fazer antes de regressar, sinto-me desmotivar, porque penso que não vai ser suficiente. A minha pesquisa precisava de muito mais tempo no Japão, mas eu não conseguiria suportar continuar aqui, a minha sanidade mental e a minha condição física não iam aguentar. Às vezes olho para os muitos estudantes internacionais, e os muitos estrangeiros que aqui vivem e penso se eles terão alguma coisa que eu não tenha, alguma força maior que os ajuda a ultrapassar aquilo que a mim me deita abaixo. Não sei se será esse o caso, mas sei que conheço demasiado bem um tipo de vida que é muito diferente deste. Este período deste lado mostrou-me muita coisa sobre mim mesma, e nem sempre gosto do que vejo em mim. Não sou o ideal de pessoa que aspirava ser, e nem sei se o vou conseguir ser um dia. A minha abertura cultural e o respeito pela diferença são postos a provas de fogo, e nem sempre passa. Revolto-me com muita coisa à minha volta, e dias há em que tenho de me bater mentalmente para ultrapassar o mau humor que sair à rua me causa. Faltam-me tantas coisas aqui.
A verdade é que nem tudo é negro, mas em certos dias o sol não brilha por mais que eu queira. O que me vale são os laços que me prendem a Portugal, e com quem falo com alguma regularidade, eles mostram-me a pessoa que eles vêem em mim, mesmo quando eu me esqueço, e isso é muito importante.
Mas voltando à minha pesquisa. Fiz a minha primeira conferência pública, num encontro que reuniu professores de todo o Japão sobre diversos temas ligados à Educação. Quase todos eram estrangeiros, e foi tão bom ter estado lá, dois dias, com eles, a partilhar experiências e ideias, a conhecer um mundo novo, o da pesquisa a sério. Claro que me senti mesmo amedrontada. Algumas das pessoas que assistiram à minha conferência eram investigadores no mesmo campo de estudo que eu, a focar aspectos semelhantes, mas eles contam já com anos de investigação, e eu só estou ainda a aprender a gatinhar! No final, esperei ansiosamente pela reacção deles, e fiquei surpreendida pelo apoio que me deram, os conselhos e sugestões que me apresentaram, e sobretudo por me terem tratado como alguém igual a eles, apesar de ainda sem muita experiência.
No Japão tenho questionado muito o meu posicionamento na hierarquia social. No meio de Japoneses, e sobretudo se a Língua a usar for o Japonês, o meu lugar é o de um bebé. Um ser incapaz de fazer algo por si próprio, que não tem voz, não consegue falar. A imagem que as pessoas nesses contextos devem ter de mim é a de um ser transparente, vazio, minúsculo. Isto afectou e continua a afectar-me muito, porque nunca antes me tinha sentido assim. Nem quando era criança me sentia assim (sempre fui responsável, e sempre me habituei a que os adultos me tratassem como alguém capaz), e mesmo quando estive em Inglaterra, não houve nenhuma situação em que me sentisse inferior só por não ser "native speaker". Em Português, Inglês, Espanhol (ainda que sem o ter estudado formalmente) e até no Francês (em que falar é difícil para mim) me sinto capaz de me mostrar como uma pessoa inteligente e capaz de falar sobre uma multiplicidade de tópicos. Em Japonês o caso muda de figura. Claro que melhorei desde que aqui cheguei. Tenho aulas todos os dias, já sou capaz de ler muitos "Kanji", e consigo perceber discursos em velocidade de "native speaker" dependendo do tipo de linguagem e o tópico usados. Percebo muitas das coisas que ouço, mas quando quero abrir a boca sinto-me gaga. Ou pior, sinto-me muda de repente, a imagem é a de alguém que abre a boca confiante de que vai falar, mas cuja voz falta no momento crucial.
Mas há coisas que estão a melhorar, e não deve ser à toa que todos os estrangeiros dizem que o primeiro ano é o pior. Bem, para mim será o único. Espero regressar um dia, ou muitos mais dias ao Japão, e mesmo a Tóquio, mas da próxima só como turista, ou noutro tipo de visitas breves.
Por falar em mudanças, no mês passado houve uma grande mudança: na cor do meu cinturão no Shorinji Kempo. Passei o exame 3Kyu (sankyu), e por isso agora estou no primeiro nível de cinturão castanho. O meu novo cinturão é lindo, não por causa da cor, mas porque só para nós que nos vamos embora antes de alcançarmos o cinturão negro, o clube encomendou um cinturão castanho com o nosso nome bordado em dourado. Pode não ser muito, e claro que não significa que eu esteja pronta a defender-me em qualquer situação, mas sinto que percorri um longo caminho, a conhecer a minha vulnerabilidade e a minha força, e a aprender coisas que me poderão ser muito úteis. Espero poder continuar em Portugal, se não nesta arte marcial (que realmente preferia continuar) então noutra, uma que foque o aspecto de defesa como esta o faz, e que seja fundada em ideias que partilho, tal como partilho dos desta.
Nesta semana uma outra novidade vai acontecer. Vou ter a minha primeira visita de Portugal. A minha orientadora vem passar férias ao Japão. A minha orientadora também é apaixonada pelo Japão, e vai cá ficar três semanas. Vou estar com ela já na sexta-feira, e nem posso descrever como vai ser bom rever uma cara amiga e familiar.
Bem, mais novidades deverão aparecer nos tempos vindouros, e eu cá tentarei dar conta delas, mas até lá por aqui ficam votos de que todos se encontrem bem. E se quiserem dar-me notícias, estejam à vontade.